
A trajetória política da senadora Soraya Thronicke parece ter chegado a um dos momentos mais delicados desde sua eleição, em 2018. Eleita na onda bolsonarista, com 373 mil votos em Mato Grosso do Sul, Soraya rompeu politicamente com o grupo que ajudou a impulsioná-la e, agora, vê seu projeto de reeleição ameaçado pelo desgaste acumulado e pelo desempenho desfavorável apontado em pesquisas eleitorais.
O cenário ganhou um novo capítulo com a articulação para que Soraya deixe de disputar a reeleição como cabeça de chapa e passe a ocupar a suplência do deputado federal Vander Loubet, pré-candidato do PT ao Senado. A possibilidade foi discutida pelo grupo político alinhado ao presidente Lula.
A mudança representa uma reviravolta impressionante. Soraya saiu das urnas como uma das grandes beneficiárias do bolsonarismo em 2018 e, oito anos depois, pode terminar a eleição de 2026 buscando espaço justamente em uma chapa liderada por um histórico representante do PT.
Pesquisas recentes ajudam a explicar a movimentação. Levantamentos divulgados ao longo de 2026 colocaram Soraya distante dos primeiros colocados em diferentes cenários da disputa pelo Senado, enquanto outros levantamentos apontaram elevado índice de rejeição à senadora.
Politicamente, fica uma pergunta inevitável: quem é hoje o eleitor de Soraya Thronicke?
Parte do eleitorado conservador que ajudou a elegê-la não acompanhou sua mudança de posicionamento. Agora, ao buscar abrigo em uma composição com o PT, Soraya enfrenta outro desafio: conquistar a confiança de uma militância historicamente adversária do bolsonarismo que a levou ao Senado.
É justamente aí que mora o maior problema da possível aliança. Para setores da esquerda, pode existir desconfiança sobre a chegada de uma parlamentar eleita por um campo político completamente diferente. Para antigos apoiadores da direita, a aproximação com Lula e o PT é vista como uma ruptura com suas origens eleitorais.
Soraya parece ter ficado no meio do caminho: perdeu parte da base que a levou ao poder e ainda precisa provar que conquistou uma nova.
Se a composição com Vander for confirmada, a senadora que chegou a Brasília como protagonista de uma onda eleitoral terminará seu mandato abrindo mão de tentar diretamente a reeleição para buscar sobrevivência política como suplente.
Na política, mudanças de lado podem garantir novos aliados. Mas também podem cobrar um preço alto nas urnas. E, no caso de Soraya Thronicke, a eleição de 2026 poderá mostrar se o eleitor sul-mato-grossense aceitou suas mudanças de posicionamento — ou se a possível suplência será o retrato definitivo de sua queda política.
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