
A edição desta semana do Jornal da Lagoa nos convida a uma reflexão necessária: até onde vai a liberdade de imprensa — e até onde pode chegar a intolerância contra aqueles que escolheram informar?
Hoje escrevo estas palavras com os olhos marejados e o coração ainda marcado pelo que vivi.
No dia 6 de julho de 2026, por volta das 12h, quando retornava para casa após participar de um coletiva de imprensa representando o Jornal da Lagoa — mostrando a realidade e cumprindo nosso compromisso de informar — fui surpreendido por três pessoas e vítima de uma violenta agressão.
Hoje, posso dizer: eu sobrevivi. E agradeço a Deus pela oportunidade de continuar aqui.
Escrevo com indignação, mas, acima de tudo, com um profundo desejo de justiça.
Agradeço a todos os veículos de comunicação, jornalistas, colegas, amigos, leitores e entidades que se manifestaram em solidariedade e repudiaram qualquer forma de violência contra profissionais da imprensa.
Na minha compreensão, a agressão que sofri ultrapassa a violência contra uma pessoa. Representa uma tentativa de intimidar e silenciar o exercício do jornalismo independente — aquele que questiona, investiga, fiscaliza, mostra os problemas da sociedade e dá voz à população.
Tenho 33 anos e sobrevivi a um ataque cruel. Ainda assim, não carrego comigo ódio ou desejo de vingança. Carrego a convicção de que a violência jamais pode ser uma resposta ao jornalismo.
Se alguém discorda de uma reportagem, que apresente sua versão. Se entende que uma informação está incorreta, que peça esclarecimentos ou exerça seu direito de resposta. Se acredita que houve algum abuso, que procure os caminhos previstos pela lei.
Mas jamais a violência.
Nenhum jornalista — seja da imprensa escrita, do rádio, da televisão, dos portais de notícias ou das redes sociais — deve ser ameaçado, intimidado ou agredido por exercer sua profissão.
Uma sociedade verdadeiramente democrática precisa conviver com perguntas incômodas, opiniões divergentes e com uma imprensa livre para fiscalizar aqueles que exercem o poder.
Por isso, faço um apelo às autoridades responsáveis pela investigação: que todos os vídeos, depoimentos e demais elementos reunidos sejam analisados com rigor, imparcialidade e respeito ao devido processo legal. Que os fatos sejam plenamente esclarecidos e que eventuais responsáveis respondam por seus atos na forma da lei.
Não queremos privilégios.
Não queremos perseguições.
Não queremos vingança.
Queremos justiça.
Porque quando um jornalista é atacado pelo exercício de sua profissão, não é apenas uma pessoa que sofre. É também o direito da sociedade de ser informada que precisa ser defendido.
É um editorial de justiça.
É um editorial em defesa da liberdade de imprensa.
É um editorial em defesa do direito de informar e de ser informado.
E, acima de tudo, é um editorial em defesa do respeito à vida, à democracia e ao jornalismo.
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