
A postura do vereador Fernando Jurado diante de um morador em situação de rua gerou revolta e abriu mais um capítulo das críticas à condução da assistência social em Três Lagoas. Ao expor e constranger publicamente um homem que estava deitado em uma rede em frente ao Centro POP, o secretário acabou demonstrando justamente aquilo que a gestão tenta esconder: a incapacidade do município em lidar com a crescente vulnerabilidade social.
O Centro POP deveria ser um espaço de acolhimento, dignidade e apoio para pessoas em situação de rua. Porém, a cena registrada mostra o oposto. Em vez de diálogo, assistência e humanidade, o que se viu foi uma atitude considerada desrespeitosa e humilhante contra alguém que já vive em extrema fragilidade social.
A situação levanta um questionamento inevitável: qual é o verdadeiro papel da assistência social no município? Punir, constranger e expor pessoas vulneráveis ou oferecer acolhimento e soluções?
Nos últimos meses, a população tem percebido o aumento do número de pessoas em situação de rua em diversos pontos da cidade. Falta estrutura, faltam políticas públicas eficientes, faltam ações concretas de reinserção social e atendimento psicológico. Enquanto isso, a gestão parece mais preocupada com aparência e discurso do que com resultados reais.
O episódio envolvendo Fernando Jurado não apenas desgasta a imagem da Secretaria de Assistência Social, como também evidencia a falta de preparo humanitário de parte da administração pública para lidar com um problema complexo e delicado.
Especialistas na área social defendem que pessoas em situação de rua devem ser tratadas com dignidade, respeito e políticas de acolhimento, jamais com exposição pública ou intimidação. O próprio Centro POP existe justamente para garantir proteção social, escuta qualificada e encaminhamento adequado.
A repercussão negativa do caso mostra que a população está cansada de ações midiáticas e espera da prefeitura soluções concretas para problemas sociais que se agravam a cada dia.
Quando um gestor escolhe humilhar ao invés de acolher, o problema deixa de ser apenas do morador em situação de rua e passa a revelar a vulnerabilidade da própria gestão pública.
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