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De crítico ferrenho a aliado político: Paulo Veron abandona discurso e se aproxima de Ângelo Guerreiro

Na prática, o ex-vereador corre o risco de perder justamente aquilo que lhe dava identidade política: o discurso de independência e oposição

29/05/2026 às 05h15 Atualizada em 29/05/2026 às 05h20
Por: Redação Fonte: Assessoria
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Ex-vereador Paulo Veron (Foto Divulgação)
Ex-vereador Paulo Veron (Foto Divulgação)

A política de Três Lagoas caminha para mais um capítulo da velha prática onde discursos duros e críticas contundentes parecem ter prazo de validade. O ex-vereador Paulo Veron, que durante anos construiu sua imagem como um dos maiores opositores do ex-prefeito Angelo Guerreiro, agora surge nos bastidores como possível parceiro político do mesmo grupo que tanto atacou.

A articulação para 2026 já estaria desenhada: Guerreiro disputaria uma vaga para deputado estadual, enquanto Veron tentaria uma cadeira na Câmara Federal, formando uma dobradinha eleitoral.

O problema é que o eleitor tem memória. Quando vereador, Paulo Veron utilizava constantemente a tribuna da Câmara para atacar a administração de Guerreiro, criticava contratos, gestão, prioridades da prefeitura e se apresentava como uma voz independente contra aquilo que chamava de erros da administração municipal.

Em vários momentos, adotou tom agressivo, posicionando-se como adversário direto do então prefeito. Agora, de forma surpreendente, o mesmo Guerreiro passa a ser tratado como aliado político.

Nos bastidores, comenta-se que o próprio Ângelo articulou a ida de Veron ao Republicanos, apresentando-o ao deputado federal Beto Pereira e prometendo que também ingressaria no partido para fortalecer o projeto conjunto.

Porém, na última hora, Guerreiro decidiu permanecer no PSDB, deixando Paulo Veron sozinho na mudança partidária.

A situação gerou desconforto até mesmo entre aliados, já que muitos enxergam que Veron abriu mão de sua coerência política para embarcar em um projeto comandado justamente por quem ele combatia publicamente.

Para parte da população, a mudança soa como puro oportunismo eleitoral, afinal, se Guerreiro era tão ruim como Paulo Veron afirmava na tribuna, o que mudou agora? E se afinal Guerreiro não era tudo aquilo que Veron dizia, então o ex-vereador enganava o eleitor quando fazia discursos inflamados contra a gestão?

Essa é a dificuldade que Paulo Veron terá de explicar nas ruas. Na prática, o ex-vereador corre o risco de perder justamente aquilo que lhe dava identidade política: o discurso de independência e oposição. Ao se aproximar de Ângelo Guerreiro, Veron passa a carregar o peso da contradição e alimenta a percepção de que, na política local, antigas críticas podem rapidamente ser esquecidas quando surge um projeto eleitoral conveniente.

Mais do que uma simples aliança, a aproximação entre os dois simboliza o desgaste da velha política, onde adversários históricos deixam diferenças de lado não por projetos para a população, mas por interesses eleitorais.

Em 2026, caberá ao eleitor decidir se aceita essa mudança repentina de postura — ou se verá nela apenas mais um exemplo de incoerência política.

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