
Nos últimos dias, o Jornal da Lagoa tem recebido uma enxurrada de denúncias e relatos de motoristas de Três Lagoas que afirmam estar sendo surpreendidos por um aumento significativo no número de multas aplicadas pelos agentes de trânsito do município. Entre os registros, chama atenção um tipo de autuação que tem causado indignação e dúvidas: “conduzir veículo de forma displicente”.
Afinal, o que significa estar “displicente no volante”? Como esse tipo de infração é comprovado? E, principalmente, Três Lagoas estaria caminhando para se tornar a chamada “cidade das multas”, com foco na arrecadação e não na educação no trânsito?
Multa subjetiva e difícil de comprovar:
O Código de Trânsito Brasileiro prevê a infração por condução sem atenção ou sem os cuidados indispensáveis à segurança, mas especialistas alertam que se trata de uma infração altamente subjetiva, que depende da interpretação do agente fiscalizador.
Diferente de infrações objetivas, como excesso de velocidade, estacionamento irregular ou avanço de sinal, a chamada “displicência” não é facilmente mensurável por equipamentos ou provas técnicas. Em muitos casos, a única base da autuação é o relato do próprio agente, sem imagens, vídeos ou testemunhas.
Motoristas relatam que receberam multas sem qualquer explicação clara, sem abordagem educativa e sem evidências que comprovassem a suposta conduta.
O trânsito, por lei, deve ser tratado como política pública de educação e segurança viária, não como instrumento de arrecadação. O próprio CTB estabelece que a fiscalização deve ter caráter preventivo e educativo, com orientação, campanhas e ações pedagógicas.
A sensação entre muitos condutores é de que a abordagem educativa foi deixada de lado, substituída por uma política punitiva e silenciosa, onde o motorista só descobre a infração semanas depois, ao receber a notificação em casa.
Punir sem educar não salva vidas, apenas gera revolta e descrédito nas instituições
O Jornal da Lagoa deixa espaço aberto para esclarecimentos da Secretaria Municipal de Trânsito e da Prefeitura de Três Lagoas, especialmente sobre:
O aumento no número de multas
Os critérios para autuações subjetivas
Dados de arrecadação com infrações
Investimentos em educação e segurança viária
A população tem o direito de saber se está sendo protegida no trânsito — ou apenas multada.
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