
A Faculdade Integrada Rui Barbosa de Andradina (FIRB) enfrenta uma grave crise institucional no curso de Medicina, marcada por denúncias de irregularidades acadêmicas, falta de estrutura e desentendimentos internos que culminaram com o pedido de desligamento coordenador do curso, Dr. Ruy José da Costa Neto, mestre e responsável técnico pela graduação.
Segundo apurado, o pedido de desligamento partiu do próprio coordenador, que afirma não concordar com uma série de decisões adotadas pela direção geral da instituição, comandada por Edson Benatti.
Denúncias de irregularidades acadêmicas
Entre os principais pontos de conflito estão acusações de flexibilização indevida das normas acadêmicas. De acordo com o ex-coordenador, havia orientação da direção para evitar reprovações de alunos, além da não exigência de disciplina mínima no curso.
O episódio marcante foi uma avaliação através de uma apresentação acadêmica da disciplina SUS/ESF, onde os alunos nao obtiveram aprovação e nao souberam responder nenhuma pergunta do avaliador, culminando com a reprovação de mais de 99% dos avaliados, gerando revolta e pedido da direção para rever a avaliação, que nao foi aceita pelo coordenador, que solicitou seu desligamento da faculdade.
Outro episódio grave relatado, envolve a suposta proibição de aplicação de advertências a estudantes, mesmo diante de casos como falsificação de assinatura em lista de presença, prática considerada falta grave no meio acadêmico.
Para o ex-coordenador, tais medidas comprometem diretamente a qualidade da formação médica e colocam em risco a credibilidade do curso.
Falta de estrutura e irregularidades institucionais
A crise não se restringe à gestão pedagógica. Também foram apontadas diversas deficiências estruturais e administrativas, entre elas:
Ausência de convênios com hospitais e rede pública de saúde para práticas clínicas;
Falta de aprovação formal do curso pelo Ministério da Educação;
Laboratórios sem materiais adequados para aulas práticas;
Funcionamento em prédio alugado, com restrição de uso apenas no período noturno, inviabilizando o modelo de ensino integral exigido para cursos de Medicina.
Especialistas apontam que essas condições são incompatíveis com as diretrizes nacionais para formação médica no Brasil.
Decisão judicial agrava cenário
Pouco tempo após a saída do coordenador, o caso ganhou contornos ainda mais graves. Uma decisão do Supremo Tribunal Federal determinou o cancelamento do curso de Medicina, que havia sido autorizado anteriormente por meio de decisão judicial em primeira instância.
A determinação representa um duro golpe para a instituição e levanta questionamentos sobre a legalidade da abertura do curso sem o devido respaldo técnico e regulatório.
Impacto para alunos e comunidade
A situação gera incerteza entre os estudantes matriculados, que agora enfrentam dúvidas sobre a continuidade da formação, possível transferência e validação dos estudos já realizados.
Para a comunidade local, o episódio também acende um alerta sobre a expansão desordenada de cursos de Medicina no país, especialmente quando não acompanhada de estrutura adequada e supervisão rigorosa.
Debate sobre qualidade no ensino médico
O caso da FIRB em Andradina reacende o debate nacional sobre a qualidade do ensino médico no Brasil, evidenciando os riscos de flexibilizações indevidas e da abertura de cursos sem condições mínimas de funcionamento.
Confira a decisão na íntegra através do link https://jornaldalagoa.com.br/envios/2026/04/09/1fde837c6579e332cb001f31aca87108b68acae9.pdf
https://youtu.be/gzh6PX-_jIo?si=V06R_dm1zJZps1lH

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