
Nos últimos dias, assistimos a uma cena que precisa ser debatida com seriedade e responsabilidade: o uso do púlpito de uma igreja, espaço sagrado de fé e espiritualidade, para promoção política por parte do prefeito Cassiano Maia e do vereador Tonhão, com a anuência do pastor responsável.
É preciso dizer com todas as letras: isso é um desrespeito à fé das pessoas.
A igreja, especialmente uma instituição tão respeitada como a Assembleia de Deus, deve ser um local de acolhimento, oração e orientação espiritual — não um palanque político. Quando líderes políticos utilizam o púlpito para se promover, e pior, quando isso ocorre com a permissão da liderança religiosa, abre-se um precedente perigoso: a mistura indevida entre fé e interesse eleitoral.
Não se trata aqui de atacar religião, muito pelo contrário. Trata-se de proteger o espaço sagrado da igreja e preservar a liberdade de consciência dos fiéis. O cidadão vai à igreja para buscar Deus, não para ouvir propaganda política disfarçada de testemunho ou mensagem.
A Constituição garante a liberdade religiosa, mas também estabelece a separação entre Estado e religião. Quando agentes públicos se valem da estrutura religiosa para autopromoção, ferem esse princípio e colocam em dúvida a lisura de suas atitudes.
Mais grave ainda é o constrangimento indireto aos fiéis. Muitos se sentem pressionados, mesmo que de forma velada, a apoiar determinadas figuras políticas por estarem dentro de um ambiente de autoridade espiritual. Isso não é justo, não é ético e não é democrático.
Quanto ao pastor que permitiu tal situação, cabe uma reflexão profunda: qual é o papel da liderança religiosa? Servir a Deus e à comunidade ou abrir espaço para interesses políticos? A igreja não pode ser instrumento de poder terreno.
Defendo uma política limpa, transparente e respeitosa. Política se faz nas ruas, no debate público, no diálogo com a população — não dentro de templos religiosos.
A fé do nosso povo merece respeito. E a política, limites.
Dr. Ruy Costa
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