
Uma nomeação recente na Secretaria Municipal de Meio Ambiente chamou a atenção de servidores e da população: a contratação de um “Coordenador Técnico Desportivo de Lazer” para atuar dentro de uma pasta cuja missão, em tese, é cuidar de políticas ambientais, fiscalização, licenciamento, preservação e sustentabilidade.
A pergunta que ecoa nos bastidores da prefeitura e nas redes sociais é direta: o que faz um coordenador técnico desportivo dentro da Secretaria de Meio Ambiente?
A Secretaria de Meio Ambiente tem atribuições bem definidas por lei: proteção ambiental, fiscalização, licenciamento de obras, gestão de resíduos, educação ambiental, arborização urbana e preservação de áreas verdes.
Já o cargo de coordenador técnico desportivo de lazer remete a atividades esportivas, recreação, políticas públicas de esporte e lazer — funções que normalmente pertencem às secretarias de Esporte, Educação ou Cultura.
A presença desse cargo dentro da estrutura ambiental levanta suspeitas de desvio de finalidade administrativa, além de possível uso político de cargos comissionados para acomodar aliados.
Cabide de emprego ou improviso administrativo?
Especialistas em administração pública alertam que a criação ou nomeação de cargos sem relação com a área técnica da secretaria pode caracterizar improvisação administrativa, loteamento político ou até burla ao princípio da eficiência previsto na Constituição.
“O gestor público deve alocar servidores conforme a finalidade legal da pasta. Quando isso não ocorre, há indícios de aparelhamento político”, afirma um professor de gestão pública ouvido pela reportagem.
Enquanto isso, o meio ambiente segue abandonado.
O caso chama ainda mais atenção em um momento em que a cidade enfrenta problemas ambientais graves:
falta de fiscalização de queimadas e desmatamento urbano;
descarte irregular de lixo e entulho;
ausência de políticas consistentes de arborização;
Em vez de fortalecer o quadro técnico com engenheiros ambientais, biólogos, fiscais e educadores ambientais, a secretaria recebe um cargo ligado ao esporte e lazer.
Silêncio da prefeitura:
Até o fechamento desta reportagem, a prefeitura não explicou:
qual a função prática do coordenador técnico desportivo dentro da Secretaria de Meio Ambiente;
qual projeto ambiental será desenvolvido por esse cargo;
se a nomeação atende critérios técnicos ou políticos.
A indignação revela o sentimento de descrédito com a gestão pública, vista por muitos como mais preocupada em acomodar aliados do que em resolver problemas reais da cidade.
A nomeação de um coordenador técnico desportivo para a Secretaria de Meio Ambiente é mais do que uma curiosidade administrativa: é um símbolo da confusão, do improviso e do uso político da máquina pública.
Enquanto cargos são distribuídos, o meio ambiente — que deveria ser prioridade — segue sem planejamento, sem fiscalização e sem políticas efetivas.

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