
A permanência de pacientes psiquiátricos na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Três Lagoas voltou a gerar preocupação entre os profissionais de saúde. Na noite de quinta-feira (6), um paciente que estava internado para cuidados psiquiátricos entrou no repouso feminino da equipe de enfermagem, provocando momentos de tensão e insegurança entre as servidoras.
Segundo informações obtidas pela reportagem, o episódio reforça um problema que há meses é apontado por trabalhadores da unidade: a UPA não possui estrutura física, equipe especializada ou ambiente adequado para manter pacientes em surto psiquiátrico por longos períodos, principalmente quando aguardam vaga para transferência.
Profissionais relatam que a unidade vem acumulando pacientes que necessitam de atendimento especializado em saúde mental, enquanto continua recebendo diariamente casos de urgência e emergência clínica. A sobrecarga compromete o funcionamento do serviço e aumenta os riscos para servidores, pacientes e acompanhantes.
O caso da invasão ao repouso feminino evidencia a vulnerabilidade dos profissionais que atuam na linha de frente. Enfermeiros e técnicos convivem diariamente com situações de tensão, muitas vezes sem apoio suficiente e sem protocolos que garantam maior segurança durante o atendimento desses pacientes.
Especialistas em saúde pública destacam que pacientes em crise psiquiátrica precisam receber assistência em locais preparados, com equipes capacitadas e medidas de segurança adequadas. A permanência prolongada em uma UPA, cuja finalidade é estabilizar e encaminhar casos de urgência, pode colocar em risco tanto o paciente quanto os profissionais da unidade.
Diante do ocorrido, cresce a expectativa por providências das autoridades responsáveis para garantir melhores condições de trabalho às equipes de saúde e um atendimento mais adequado aos pacientes com transtornos mentais, evitando que novos episódios como este voltem a acontecer.
Mín. 21° Máx. 36°