
A sessão da Câmara Municipal que discutiu e aprovou o novo Plano Diretor de Três Lagoas revelou mais do que divergências sobre o futuro da cidade. Ela escancarou um problema que vem se repetindo ao longo de 2026: a dificuldade do presidente da Câmara, Tonhão, em lidar com críticas e manifestações populares.
Durante a sessão, marcada por forte presença popular, Tonhão foi alvo de vaias de cidadãos que demonstravam insatisfação com o projeto e com a condução dos trabalhos legislativos. O que se esperava de um presidente da Câmara era serenidade, equilíbrio e capacidade de conduzir o debate em um ambiente democrático. Em vez disso, a reação considerada ríspida por parte dos presentes ampliou ainda mais o clima de tensão.
Quem ocupa a presidência do Poder Legislativo não pode agir apenas quando recebe aplausos. O cargo exige maturidade para ouvir críticas, administrar conflitos e compreender que a população tem o direito de se manifestar, concordando ou não com as decisões dos vereadores.
O episódio não é isolado. Em janeiro deste ano, durante a polêmica da terceirização da merenda escolar, Tonhão também entrou em rota de colisão com a população ao declarar que, caso fosse realizado concurso público, muitas merendeiras não seriam aprovadas. A fala foi interpretada por diversas trabalhadoras como um desrespeito à categoria, justamente em um momento em que elas lutavam pela manutenção de seus empregos.
Na ocasião, em vez de buscar diálogo e entendimento, a declaração acabou aprofundando o sentimento de revolta entre as profissionais afetadas pela mudança proposta pela administração municipal.
Agora, novamente, diante de uma situação de contestação popular, o presidente da Câmara demonstra dificuldade em compreender que divergências fazem parte da vida pública. A democracia não se fortalece quando autoridades tentam silenciar ou confrontar aqueles que pensam diferente. Ela se fortalece justamente quando o debate é permitido e respeitado.
A Câmara Municipal existe para representar a população. Quando a população se sente desrespeitada ou ignorada, o problema deixa de ser apenas político e passa a ser institucional.
As vaias desta semana podem ter sido direcionadas a uma autoridade específica, mas carregam uma mensagem muito maior: cresce entre os cidadãos a cobrança por representantes que saibam ouvir tanto os aplausos quanto as críticas.
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