
Mais um episódio grave envolvendo pacientes psiquiátricos na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) expõe um problema antigo e ainda sem solução por parte da Secretaria Municipal de Saúde. A ausência de estrutura adequada, equipe especializada e protocolos claros para manejo de pacientes com transtornos mentais resultou em uma agressão contra um profissional de enfermagem nesta semana.
Segundo relatos da equipe da unidade, um paciente de 25 anos vinha sendo levado repetidamente à UPA nos últimos dias por familiares, Corpo de Bombeiros e equipes do SAMU. O motivo eram episódios recorrentes de agressividade dentro do próprio domicílio.
Diante das sucessivas idas e vindas, a equipe decidiu mantê-lo na unidade para avaliação psiquiátrica. No entanto, a permanência ocorreu em condições inadequadas: sem estrutura física apropriada para pacientes psiquiátricos, sem suporte terapêutico específico e em meio a um déficit de profissionais.
O jovem possui histórico desde a infância de deficiência intelectual associada a transtorno comportamental, condição que exige manejo especializado e ambiente apropriado para contenção clínica e acompanhamento.
De acordo com o relato dos profissionais, o paciente apresentou intensa agitação psicomotora e verbal. Diante do quadro, o médico da unidade prescreveu medicação com objetivo de contenção clínica.
Quando a equipe de enfermagem realizou a abordagem para administração do medicamento, o paciente reagiu de forma agressiva.
Durante o episódio, um enfermeiro foi atacado fisicamente. Ele teve o uniforme rasgado e sofreu lesões na região do pescoço e do tórax enquanto tentava conter a situação.
O caso gerou revolta entre os profissionais da unidade, que afirmam trabalhar diariamente sob risco por falta de estrutura e suporte institucional.
Trabalhadores da saúde relatam que o atendimento a pacientes psiquiátricos na UPA é um problema conhecido há anos. A unidade não foi projetada para esse tipo de cuidado prolongado, tampouco possui sala segura, equipe de saúde mental ou protocolo adequado para casos de agitação grave.
Mesmo assim, por falta de vagas em serviços especializados e ausência de uma rede estruturada de saúde mental, esses pacientes acabam permanecendo nas UPAs por horas ou até dias.
“O problema não é o paciente. O problema é o sistema que não oferece estrutura adequada. Quem paga essa conta são os profissionais que ficam expostos”, relatou um servidor da unidade.
Apesar das sucessivas ocorrências envolvendo pacientes psiquiátricos e das constantes reclamações das equipes de saúde, até o momento nenhuma medida concreta foi apresentada pela Secretaria de Saúde do município.
O episódio envolvendo o enfermeiro, evidencia uma realidade preocupante: sem planejamento e estrutura, a rede de saúde acaba transferindo para profissionais da linha de frente um problema que deveria ser enfrentado com políticas públicas adequadas de saúde mental.
E a pergunta que permanece é simples: até quando?
Mín. 19° Máx. 35°