
Enquanto a Prefeitura de Três Lagoas e a Câmara Municipal comemoram a aprovação do porto fluvial da Bracell como símbolo de “desenvolvimento”, cresce a preocupação sobre os impactos ambientais que poderão atingir a região da Cascalheira e o Rio Sucuriú. O projeto, aprovado em regime de urgência pelos vereadores, prevê a cessão de uma área pública de quase 90 mil metros quadrados para implantação de um terminal hidroviário voltado ao transporte de madeira de eucalipto.
A promessa é de investimento superior a R$ 100 milhões, geração de empregos e fortalecimento da cadeia da celulose. Porém, pouco se debateu sobre os efeitos ambientais permanentes que uma operação desse porte pode causar em uma das regiões naturais mais conhecidas e frequentadas pela população de Três Lagoas.
A região da Cascalheira é conhecida pela beleza natural, turismo, pesca e lazer. Agora, poderá dividir espaço com intenso tráfego de caminhões, armazenamento de madeira, movimentação industrial e operação hidroviária praticamente ininterrupta, já que o terminal deve funcionar 24 horas por dia.
Especialistas ambientais costumam alertar que empreendimentos hidroviários podem provocar alterações na fauna, no fluxo natural das águas, erosão das margens, aumento da poluição sonora e risco de contaminação ambiental. Mesmo com exigência de licenças ambientais, ambientalistas questionam se haverá fiscalização rigorosa ou se tudo ficará apenas no papel.
Outro ponto que chama atenção é a velocidade da aprovação. O projeto foi votado em regime de urgência, sem amplo debate popular, audiências públicas amplamente divulgadas ou discussão aprofundada com moradores, pescadores, ambientalistas e setores ligados ao turismo ecológico.
A Prefeitura afirma que haverá um “Eco Parque” como contrapartida ambiental, com investimento de cerca de R$ 3 milhões.
Porém, críticos questionam se um parque de lazer realmente compensa os possíveis impactos ambientais causados por um porto industrial de grande porte dentro de uma área sensível da natureza.
Além disso, o discurso de sustentabilidade entra em contradição quando o avanço da monocultura de eucalipto já provoca debates em Mato Grosso do Sul sobre consumo de água, transformação da paisagem natural e pressão ambiental causada pela expansão da indústria da celulose.
A população também teme que, no futuro, Três Lagoas pague um preço alto pelo chamado “progresso”. Desenvolvimento econômico é importante, mas precisa caminhar junto com transparência, preservação ambiental e participação popular. Sem isso, existe o risco de transformar patrimônios naturais da cidade em áreas dominadas exclusivamente pelo interesse econômico.
O que deveria ser debatido agora não é apenas quantos empregos serão gerados, mas qual será o impacto ambiental deixado para as próximas gerações.
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