
A decisão da Prefeitura de Três Lagoas em contratar uma empresa de arbitragem por mais de meio milhão de reais para atender campeonatos apoiados e realizados pela SEJUVEL começa a gerar revolta e questionamentos entre servidores, esportistas e a população.
Em uma cidade onde faltam investimentos em diversas áreas do esporte, a pergunta que ecoa nas quadras e campos é simples: era realmente necessário gastar tanto dinheiro com arbitragem terceirizada?
Professores de Educação Física da própria rede municipal poderiam, perfeitamente, auxiliar na arbitragem das competições, recebendo horas extras ou gratificações por atuação nos eventos esportivos. Além de gerar economia aos cofres públicos, a medida valorizaria os profissionais do município e fortaleceria o vínculo entre escola, esporte e comunidade.
Enquanto isso, a administração prefere abrir os cofres para empresas privadas.
O valor do contrato chama atenção principalmente porque o discurso oficial da Prefeitura frequentemente fala em “contenção de gastos” e “responsabilidade financeira”. Porém, na prática, o que a população vê são contratos altos para serviços que poderiam ser parcialmente realizados com mão de obra própria.
Especialistas ouvidos pelo jornal apontam que muitas cidades utilizam professores, acadêmicos de Educação Física e servidores capacitados em eventos esportivos municipais, reduzindo drasticamente os custos da arbitragem.
Outro ponto que levanta dúvidas é a transparência sobre os critérios do contrato:
Quantos campeonatos serão atendidos?
Quantos árbitros estarão disponíveis?
Qual o valor por partida?
Houve estudo técnico demonstrando que terceirizar seria mais econômico do que utilizar profissionais da rede?
Até agora, poucas respostas foram apresentadas.
A situação também reacende um debate antigo em Três Lagoas: a constante terceirização de serviços públicos, mesmo quando o município possui servidores aptos para desempenhar determinadas funções.
Para muitos moradores, o recado é claro: dinheiro para contratos milionários sempre aparece. Já para valorização dos servidores municipais, quase nunca.
Em tempos de dificuldades financeiras enfrentadas pela população, gastar mais de meio milhão de reais com arbitragem esportiva parece, para muitos, um verdadeiro cartão vermelho contra a economia e a boa gestão do dinheiro público.

Mín. 17° Máx. 31°