
Uma contratação recente assinada pelo secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Marco Júnior, acendeu um alerta vermelho sobre a condução administrativa em Três Lagoas. O motivo: a aquisição de churrasqueiras para o Balneário Municipal por meio de uma empresa de comunicação visual.
A pergunta que ecoa entre servidores, empresários e a população é simples e direta: o que uma empresa de comunicação visual tem a ver com o fornecimento de churrasqueiras?
A ausência de resposta plausível levanta suspeitas legítimas sobre a legalidade, a transparência e a moralidade do ato administrativo.
Empresas de comunicação visual, em regra, atuam na produção de fachadas, placas, banners, adesivos e materiais gráficos. Não se trata apenas de uma questão burocrática, mas de especialização técnica e capacidade operacional. A contratação de um fornecedor sem vínculo claro com o objeto contratado fere princípios básicos da administração pública, como a eficiência e a competitividade.
Ao ignorar esses critérios, a gestão abre margem para direcionamento de contratos — prática que compromete a lisura do processo e prejudica empresas que realmente atuam no ramo de fornecimento de equipamentos como churrasqueiras.
Até agora, o secretário Marco Júnior não apresentou explicações convincentes sobre os critérios utilizados para escolher a empresa contratada. Não há clareza sobre pesquisa de preços, capacidade técnica da empresa ou justificativa para a dispensa de licitação.
A omissão apenas reforça a percepção de desorganização — ou algo mais grave.
O Balneário Municipal é um dos principais espaços de lazer da população. Investimentos são necessários, mas precisam ser feitos com responsabilidade, planejamento e, sobretudo, respeito ao dinheiro público.
Quando decisões como essa vêm à tona, não se trata apenas de uma compra questionável, mas de um sintoma de gestão que parece ignorar princípios básicos da administração pública.
Diante da gravidade do caso, cabe aos órgãos de controle, como o Ministério Público e o Tribunal de Contas, apurar possíveis irregularidades. A Câmara Municipal também tem o dever de exercer seu papel fiscalizador — não como espectadora, mas como representante da população.
Se não há irregularidade, que se prove com documentos, transparência e explicações técnicas. Caso contrário, a população de Três Lagoas tem o direito de saber por que uma empresa de comunicação visual foi escolhida para fornecer churrasqueiras — e quem, de fato, está sendo beneficiado com essa decisão.
Enquanto isso, fica a impressão de que, na gestão de Marco Júnior, até churrasqueira pode virar peça de publicidade — mas quem paga essa conta é sempre o cidadão.

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