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Editorial – O início de um projeto que ameaça o serviço público

Por Dr. Ruy Costa

26/12/2025 às 18h46 Atualizada em 26/12/2025 às 19h06
Por: Redação Fonte: Assessoria
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Dr. Ruy Costa (Foto Divulgação)
Dr. Ruy Costa (Foto Divulgação)

Recentemente, a Prefeitura de Três Lagoas, por meio do secretário de Governo André Bacala, anunciou a terceirização da merenda escolar e dos serviços de vigilância. O anúncio veio acompanhado de um discurso entusiasmado sobre a terceirização como solução não apenas para essas áreas, mas como modelo a ser expandido para outros setores da administração pública. É preciso dizer com todas as letras: isso não é um fato isolado. É apenas o começo de um projeto que ameaça o serviço público e quem o sustenta diariamente.

A merenda escolar e os vigias não são números em uma planilha. São trabalhadores e trabalhadoras que garantem alimentação digna às nossas crianças e segurança às nossas escolas e prédios públicos. São pais e mães de família, muitos concursados, que construíram suas vidas com base na estabilidade, na dignidade do trabalho e no compromisso com o interesse público. Tratar essas categorias como “custos” a serem eliminados é desumanizar o serviço público.

O argumento usado para justificar a terceirização quase sempre é o mesmo: redução de gastos e aumento de eficiência. Mas a realidade, em inúmeros municípios e estados pelo Brasil, mostra outra face dessa história. A terceirização, muitas vezes, precariza relações de trabalho, reduz salários, retira direitos, aumenta a rotatividade e fragiliza o controle sobre a qualidade do serviço prestado. O barato, no final, costuma sair caro — para o poder público e, principalmente, para a população.

Quando se terceiriza a merenda, terceiriza-se também a responsabilidade com a qualidade da alimentação das nossas crianças. Quando se terceiriza a vigilância, terceiriza-se a confiança em quem cuida do patrimônio público e da segurança de alunos e servidores. O que está em jogo não é apenas um modelo de gestão, mas a concepção de Estado que queremos: um Estado forte, que assume suas responsabilidades, ou um Estado mínimo, que se limita a repassar funções essenciais ao setor privado.

Defender o serviço público não é ser contra a modernização. É ser contra o desmonte. Modernizar é investir em capacitação, gestão eficiente, valorização dos servidores. Não se resolve problemas estruturais sacrificando justamente quem ganha menos e trabalha mais.

Como cidadão, médico e alguém que acredita na função social do Estado, me coloco ao lado dos trabalhadores da merenda, dos vigias e de todas as categorias ameaçadas por esse avanço indiscriminado da terceirização. Três Lagoas precisa de responsabilidade, diálogo e transparência. Decisões que impactam vidas não podem ser tomadas de forma fria, sem ouvir quem será diretamente afetado e sem um debate profundo com a sociedade.

O serviço público existe para servir ao povo, não para atender modismos administrativos ou interesses econômicos. Defender essas categorias é defender a dignidade do trabalho, a qualidade dos serviços e o futuro da nossa cidade. E essa defesa precisa começar agora, antes que o “início” anunciado se transforme em um desmonte irreversível.

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