
Mesmo após uma série de denúncias envolvendo a estrutura administrativa da Secretaria Municipal de Saúde, a gestão da secretária Juliana Salim segue sob questionamentos. Relatos apontam que médicos e outros profissionais continuam alocados em funções consideradas irregulares, com remunerações incompatíveis com as atividades efetivamente desempenhadas.
De acordo com as denúncias, há casos de médicos assessores que, embora exerçam funções administrativas, estariam recebendo como se atuassem em regime de plantão — modelo que, em tese, exige atuação direta no atendimento à população. A prática levanta suspeitas sobre possível desvio de função e pagamento indevido de gratificações.
Outro ponto crítico envolve a presença de farmacêutica lotada em unidade básica de saúde que estaria cadastrada e remunerada como plantonista, sem cumprir jornada típica desse tipo de escala. A situação, além de irregular do ponto de vista administrativo, pode representar distorções nos registros oficiais da prestação de serviços.
Também chama atenção o caso de médico “adaptado”, que, mesmo sem realizar atendimentos regulares, continuaria recebendo gratificações vinculadas à produção assistencial — o que pode configurar pagamento por serviço não executado.
As denúncias vão além. Há ainda registros de profissionais vinculados a um suposto “setor de declaração de óbito”, estrutura que, segundo apuração, sequer existe formalmente dentro da secretaria. A manutenção de servidores em setores inexistentes levanta dúvidas sobre a transparência da gestão e a correta aplicação dos recursos públicos.
Especialistas em administração pública ouvidos pela reportagem destacam que situações como essas podem configurar improbidade administrativa, sobretudo quando há pagamento de vantagens sem respaldo legal ou exercício real da função.
Apesar da gravidade dos apontamentos, até o momento não há informação de medidas efetivas adotadas pela secretária Juliana Salim para apurar ou corrigir as irregularidades. O silêncio da gestão reforça a sensação de impunidade e fragiliza a confiança da população no sistema público de saúde.
Diante desse cenário, cresce a pressão para que órgãos de controle, como o Ministério Público e o Tribunal de Contas, aprofundem as investigações. A expectativa é de que eventuais responsabilidades sejam apuradas e que os recursos públicos sejam resguardados.
Enquanto isso, a população segue enfrentando dificuldades no acesso a serviços básicos de saúde — um contraste preocupante diante das denúncias de possíveis privilégios e distorções dentro da própria estrutura da secretaria.



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