
A Secretaria Municipal de Saúde de Três Lagoas volta a ser alvo de questionamentos após a revelação de dois novos casos que indicam possíveis irregularidades na gestão de pessoal e no uso de recursos públicos. As situações envolvem pagamentos elevados a profissionais médicos em funções consideradas, no mínimo, controversas.
O primeiro caso diz respeito a um médico que estaria recebendo cerca de R$ 18 mil mensais vinculado ao chamado Serviço Municipal de Declaração de Óbito. A situação chama atenção porque o município já conta com a atuação de médicos do Instituto Médico Legal (IML) — servidores concursados do Estado, cuja atribuição inclui justamente a emissão de laudos e declarações de óbito em casos específicos.
Diante disso, surgem questionamentos inevitáveis:
Por que manter um serviço paralelo?
Qual a real necessidade dessa contratação?
Há sobreposição de funções financiada com dinheiro público?
Especialistas apontam que, caso não haja justificativa técnica clara, a duplicidade pode configurar desperdício de recursos ou até mesmo indício de má gestão administrativa.
O segundo caso envolve uma médica que estaria recebendo como plantonista em um setor que não existe mais no município: a regulação hospitalar. A extinção ou reformulação desse serviço não teria sido acompanhada pela revisão dos contratos ou lotações funcionais, levantando dúvidas sobre a legalidade do pagamento.
Na prática, isso significa que a profissional estaria sendo remunerada por uma função inexistente — uma situação grave, que pode indicar falhas no controle interno da Secretaria ou até irregularidades mais profundas.
Esses dois episódios se somam a uma sequência de denúncias recentes envolvendo a saúde municipal, reforçando a percepção de desorganização administrativa e possível uso indevido da máquina pública.
Para a população, o impacto é direto. Enquanto faltam médicos em unidades básicas, exames demoram meses e a estrutura da saúde enfrenta críticas constantes, casos como esses alimentam a sensação de que recursos estão sendo mal direcionados.
A reportagem procurou a Secretaria Municipal de Saúde para esclarecimentos sobre:
A justificativa para a manutenção do Serviço Municipal de Declaração de Óbito;
A compatibilidade da função exercida pela médica vinculada à regulação hospitalar;
E quais medidas de controle e auditoria estão sendo adotadas.
Até o momento, não houve resposta.
Diante da gravidade dos fatos, cresce a expectativa por uma apuração rigorosa por parte dos órgãos de controle, como o Ministério Público e o Tribunal de Contas. A transparência na gestão da saúde pública não é apenas uma obrigação legal — é uma necessidade urgente para garantir que os recursos cheguem, de fato, a quem mais precisa: a população.


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