
Uma decisão recente da Prefeitura de Três Lagoas tem gerado indignação entre moradores do Cinturão Verde. Aliados políticos do prefeito Cassiano Maia teriam sido beneficiados com um termo de cessão de uso provisório de áreas na região, levantando questionamentos sobre critérios, transparência e possível favorecimento político.
Entre os nomes citados por moradores está o de Caju, figura conhecida nos bastidores políticos locais, além de Airan, ambos apontados como apoiadores do grupo político que hoje comanda o Executivo municipal.
Alguns moradores procuraram a reportagem para relatar que não foram informados sobre qualquer reunião ou processo de seleção para a concessão dos lotes. Segundo os relatos, muitas famílias que vivem há anos no Cinturão Verde e dependem da terra para subsistência simplesmente não tiveram a oportunidade de participar ou sequer foram comunicadas sobre a cessão das áreas.
“Tem gente aqui que está há anos esperando regularização e nunca foi chamada para nada. De repente aparecem nomes ligados à política já com documento de cessão”, relatou um morador, que preferiu não se identificar por medo de represálias.
Outro ponto que chama atenção é uma denúncia recebida pela reportagem envolvendo Caju. Segundo moradores da região, ele não residiria no Cinturão Verde, o que já contrariaria o espírito do programa de cessão voltado a famílias que vivem e trabalham na área.
A denúncia vai além: o lote concedido estaria sendo alugado para terceiros, prática que seria expressamente proibida nas regras da cessão de uso, já que os terrenos devem ser utilizados diretamente pelo beneficiário para moradia ou produção.
Caso confirmado, a situação poderia configurar descumprimento das condições estabelecidas pelo próprio termo de cessão, além de indicar possível uso político de um patrimônio público destinado a políticas sociais e agrícolas.
Até o momento, moradores afirmam que não sabem quais foram os critérios utilizados pela prefeitura para escolher os beneficiários das áreas.
Não há clareza sobre:
se houve chamamento público;
se foi realizado cadastro ou seleção de famílias;
ou se a escolha ocorreu de forma direta pela administração.
A ausência dessas informações levanta suspeitas de que o processo possa ter sido conduzido sem a transparência necessária, abrindo espaço para favorecimento de aliados políticos.
O Cinturão Verde foi criado com o objetivo de garantir produção agrícola, subsistência e moradia para famílias que dependem da terra, além de fomentar a agricultura local.
Por isso, a possível utilização dessas áreas como moeda política ou benefício a aliados preocupa moradores e lideranças comunitárias.
“Se for para ajudar quem realmente precisa, todos concordam. O problema é quando começa a beneficiar quem já tem ligação com a política”, afirmou outro morador.
Diante das denúncias, cresce a pressão para que a Prefeitura de Três Lagoas esclareça:
quem são todos os beneficiários da cessão provisória;
quais critérios foram utilizados na escolha;
e se houve fiscalização sobre o uso correto dos lotes.
Moradores defendem que o caso seja acompanhado pelos órgãos de controle e pelo Ministério Público, para garantir que áreas públicas destinadas à população não estejam sendo usadas para atender interesses políticos.
Enquanto isso, entre algumas famílias que vivem no Cinturão Verde, permanece o sentimento de injustiça e exclusão, diante de decisões que, segundo elas, foram tomadas sem diálogo e sem transparência.
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