
A política não admite silêncio prolongado — principalmente quando ele vem de quem teve papel central na construção do cenário atual de Três Lagoas.
Depois de ajudar a eleger Cassiano Maia, o ex-prefeito Ângelo Guerreiro praticamente desapareceu das ruas. O rompimento político entre ambos ocorreu, é fato. Mas até hoje não foi explicado com clareza à população. O que houve? Divergências administrativas? Disputa por protagonismo? Compromissos não cumpridos? A cidade merece transparência.
Não bastasse o afastamento político, Guerreiro ainda enfrenta uma decisão judicial que o tornou inelegível — situação que tenta reverter. Natural que busque seus direitos. Mas enquanto isso, paira uma dúvida legítima no ar: qual é hoje sua posição diante da administração que ajudou a eleger?
É impossível dissociar responsabilidades. Cassiano Maia não surgiu do nada. Foi fruto de um projeto político, de alianças, de estrutura e de apoio. E ninguém ignora que Ângelo Guerreiro foi peça-chave nesse processo. Se a gestão enfrenta desgaste, críticas e questionamentos, não é descabido perguntar: sente-se corresponsável?
A população também quer saber:
Como avalia a atual administração?
O rompimento foi político ou pessoal?
Há possibilidade de reaproximação?
Será candidato nas próximas eleições?
Pretende caminhar ao lado de Cassiano novamente?
Ou se apresentará como alternativa?
O silêncio, neste momento, não ajuda. Pelo contrário, alimenta especulações.
Três Lagoas vive um período de instabilidade administrativa, críticas constantes e desconfiança crescente. Quando líderes políticos desaparecem do debate público, deixam um vácuo que enfraquece ainda mais a confiança da sociedade na política.
A cidade não quer bastidores. Quer clareza.
Quem ajudou a construir o cenário atual precisa ter a grandeza de vir a público e se posicionar. Não se trata de ataque, mas de responsabilidade histórica. Liderança não é apenas vencer eleições — é assumir consequências.
A política exige coragem. E, neste momento, o que mais falta é explicação.
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