
Enquanto o prefeito Cassiano Maia anuncia em discursos e entrevistas que Três Lagoas caminha para ser uma cidade “100% asfaltada”, a realidade enfrentada por moradores do Jardim das Primaveras e muitas outas localidades na cidade conta outra história — uma história de lama, enxurrada, buracos e dificuldade diária para sair e voltar para casa.
Basta uma chuva mais forte para que ruas do bairro se transformem em verdadeiros atoleiros. Carros patinam, motociclistas arriscam quedas, crianças têm dificuldade para chegar à escola e trabalhadores enfrentam o constrangimento de sair de casa com os pés cobertos de barro.
Moradores relatam que:
ambulâncias e veículos de aplicativo evitam entrar em determinadas ruas;
entregas são canceladas por causa das condições do acesso;
há risco constante de quedas, principalmente para idosos;
a poeira no período de seca e a lama na chuva tornaram-se parte da rotina.
A expressão “100% asfaltada” soa bem em entrevistas, redes sociais e peças institucionais. Mas ela perde completamente o sentido quando confrontada com bairros onde o morador precisa calcular a rota para não atolar.
O Jardim das Primaveras é apenas um exemplo visível de um problema maior: a distância entre o discurso político e a vivência da população.
Se a cidade estivesse, de fato, próxima desse índice, bairros inteiros não estariam sofrendo com problemas que deveriam ter sido resolvidos há anos.
Não é só barro — é saúde, segurança e respeito
A lama não é apenas um incômodo visual. Ela traz:
risco sanitário,
proliferação de insetos,
dificuldade de acesso para serviços públicos,
prejuízo à valorização das casas dos moradores.
É o tipo de problema que revela prioridades administrativas. Porque asfalto não é obra de vitrine — é obra de necessidade.
A população quer menos promessa e mais pavimentação
O morador do Jardim das Primaveras não quer saber de percentual, meta futura ou propaganda institucional. Ele quer saber quando a rua dele vai deixar de ser um atoleiro.
Enquanto isso não acontece, a fala de cidade “100% asfaltada” soa como deboche para quem vive com o pé no barro.
A reportagem deixa o espaço aberto para que a Prefeitura de Três Lagoas informe:
se o bairro está no cronograma de pavimentação;
qual a previsão real de início das obras;
por que a situação persiste mesmo diante das promessas públicas.
Porque, para quem mora ali, a chuva não espera o discurso — ela cai, e a lama volta.
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