
A recente decisão do prefeito Cassiano Maia de retirar a Diretoria de Cultura da Secretaria Municipal de Educação e criar a Secretaria de Cultura e Turismo tem provocado forte reação nos bastidores políticos e culturais de Três Lagoas. O motivo central da polêmica não é apenas a mudança administrativa, mas para quem e com quais poderes essa nova pasta foi desenhada.
Segundo críticos da gestão, a secretaria teria sido criada sob medida para Stenio Congro Neto, herdeiro do grupo de comunicação RCN e Jornal do Povo. A leitura política é direta: trata-se de um movimento que amplia poder, orçamento e influência a um aliado próximo do prefeito.
Com status de secretaria, Congro passa a ter autonomia para contratar shows, eventos e serviços culturais, além de gerir recursos do turismo. Mais do que isso, a nova estrutura permitiria que a pasta direcione apoio a associações e entidades ligadas ao secretário e ao grupo político do prefeito ,como por exemplo a Associação de pesca esportiva de Três Lagoas, AJE, Sindicato Rural, Costa Leste, Abrasel e outras.
Outro ponto que incomoda é o conflito ético evidente: ao mesmo tempo em que assume uma secretaria estratégica, Congro mantém influência sobre o veículo de comunicação da sua família. Na prática, críticos afirmam que o prefeito passa a contar com uma vitrine midiática permanente, capaz de exaltar sua gestão “24 horas por dia”, enquanto silencia críticas e opositores. A fronteira entre informação pública e propaganda política, nesse cenário, fica perigosamente borrada.
A pergunta que ecoa entre artistas, produtores culturais e setores da sociedade civil é simples: a cultura e o turismo da cidade ganharam com essa mudança ou apenas um aliado político ganhou mais poder? Até o momento, não foram apresentados planos consistentes, metas públicas ou critérios transparentes que justifiquem a criação de uma nova secretaria — especialmente em um município que enfrenta desafios financeiros e cobra prioridade em áreas essenciais.
Enquanto isso, a cultura segue esperando respostas — e a população, explicações.
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