
A visita do prefeito Cassiano Maia à unidade de saúde do bairro Parapunga, que deveria ser uma ação institucional de rotina, acabou expondo um retrato preocupante da realidade enfrentada diariamente pela população de Três Lagoas. Ao chegar ao local, o prefeito se deparou com a farmácia fechada, porque havia apenas um funcionário escalado, com horário de entrada previsto somente para às 9h.
O episódio não é apenas um detalhe administrativo: ele revela falhas graves de planejamento, gestão de pessoal e organização da Secretaria Municipal de Saúde. Se nem para a agenda oficial do prefeito houve o mínimo de preparo, fica a pergunta inevitável: como está o atendimento nos dias comuns, longe dos holofotes?
Realidade que a população já conhece
Para os usuários do SUS, a cena não causa surpresa. Falta de profissionais, setores fechados, filas, demora e improviso fazem parte do cotidiano de muitas unidades de saúde do município. O que chamou atenção desta vez foi o fato de o problema ter ocorrido na presença do próprio prefeito, escancarando aquilo que moradores e servidores relatam há meses.
A situação gerou desconforto durante a visita e, segundo informações de bastidores, foi um dos motivos que levaram a secretária municipal de Saúde Juliana Salim convocar uma reunião online urgente em pleno sábado. A pressa em apagar o incêndio após o constrangimento público contrasta com a lentidão em resolver problemas estruturais que afetam diretamente a população.
O episódio evidencia uma gestão que atua de forma reativa, correndo atrás dos problemas apenas quando eles ganham visibilidade política. A saúde pública, no entanto, exige planejamento, prevenção e respeito ao cidadão, não reuniões emergenciais motivadas por situações embaraçosas.
Mais do que um constrangimento
Não se trata apenas de um “inconveniente” durante uma visita oficial. Trata-se de um sinal de alerta. Quando uma farmácia de unidade básica permanece fechada por falta de funcionário, o prejuízo não é político — é humano. São pacientes que deixam de receber medicamentos, tratamentos interrompidos e direitos básicos desrespeitados.
O flagrante no Parapunga simboliza o que muitos moradores sentem na pele: a saúde de Três Lagoas segue funcionando no limite, sustentada pelo esforço de poucos servidores e pela paciência da população. A pergunta que fica é se o episódio resultará em mudanças concretas ou se será apenas mais um caso esquecido após a reunião de emergência.
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