
Passado mais de um ano da gestão do prefeito Cassiano Maia, a oposição em Três Lagoas faz uma avaliação dura do governo municipal. Segundo críticos, a administração tem sido marcada por contradições, endividamento elevado, crises administrativas e uma sucessão de polêmicas que colocam em xeque o discurso de renovação apresentado durante a campanha eleitoral.
Cidade mais endividada do Estado
Três Lagoas tornou-se, segundo dados oficiais, a cidade mais endividada de Mato Grosso do Sul, mesmo possuindo um dos maiores orçamentos do interior. A situação preocupa ainda mais diante da tentativa do prefeito de contrair novos empréstimos milionários, enquanto a população enfrenta falta de medicamentos, serviços públicos precários e promessas não cumpridas.
“Não se trata apenas de números frios. Estamos falando de uma cidade rica, com orçamento bilionário, mas onde falta remédio, falta médico, falta gestão e sobra propaganda”, critica o médico e líder da oposição, Dr. Ruy Costa.
Educação sob suspeita
Outro ponto considerado grave pela oposição é a manutenção da secretária municipal de Educação, que já foi condenada por corrupção em Campo Grande. Para opositores, a permanência da gestora simboliza uma incoerência ética.
“O discurso de moralidade caiu por terra. Um governo que se diz ético não pode fechar os olhos para o histórico judicial de seus principais gestores”, afirma Dr. Ruy Costa.
Rompimento político e demissões em massa
Logo no início da gestão, Cassiano Maia rompeu politicamente com seu antigo aliado, o que resultou na demissão de mais de mil servidores ligados à administração anterior. Para a oposição, o movimento teve caráter de retaliação política, gerando instabilidade, perseguições e descontinuidade de serviços públicos essenciais.
Meio ambiente e interferência eleitoral
Denúncias apontam que a atual secretária de Meio Ambiente teria atuado para impedir que o PL lançasse candidatura própria à prefeitura, favorecendo diretamente o atual prefeito. Além disso, a secretaria manteve o contrato do lixo, o mesmo que tornou o ex-prefeito inelegível, levantando suspeitas de seletividade política e conivência administrativa.
Assistência Social: vice afastada
Outro episódio emblemático foi o afastamento da vice-prefeita da Secretaria de Assistência Social, enfraquecendo o papel institucional da vice e revelando rachas internos dentro do próprio governo.
Iluminação pública: milhões sem clareza
O contrato com a empresa Brilha Três Lagoas, responsável pela iluminação pública, é alvo constante de questionamentos. Valores milionários, sede pouco transparente e serviços considerados insuficientes alimentam críticas. “É um contrato caro, pouco transparente e que não entrega à população o retorno esperado”, pontua Dr. Ruy.
Transporte público e pressão política
Mesmo após a empresa anterior perder a concessão do transporte coletivo, a prefeitura autorizou aditivos financeiros, enquanto os ônibus da nova empresa permaneceram parados na garagem. A frota só entrou em operação após forte pressão da oposição, liderada por Dr. Ruy Costa.
Publicidade oficial e aliados políticos
Enquanto setores essenciais enfrentam cortes e dificuldades, a gestão ampliou gastos com publicidade institucional e liberou recursos para associações ligadas a aliados políticos, segundo denúncias feitas pela oposição.
Saúde em colapso
A área da saúde é apontada como uma das mais críticas. Durante quase um ano, a população conviveu com falta de medicamentos básicos. A troca no comando da secretaria não trouxe estabilidade: surgiram denúncias de pagamento a servidor ligado a secretária que não cumpria plantão e casos de intolerância religiosa dentro da rede pública.
“A saúde virou símbolo do descaso. Profissionais desmotivados, pacientes abandonados e denúncias graves que não são apuradas”, lamenta o líder oposicionista.
Governo instável e concentrador
A instabilidade administrativa é evidenciada pelas sucessivas mudanças internas:
Trocas em menos de um ano na secretaria de saúde, assistência social, e administração.
Chefia de Gabinete alterada três vezes
Secretaria de Governo concentrando mais poder que o próprio prefeito, segundo relatos internos
Primeira-dama sob questionamentos
A primeira-dama também se envolveu em polêmicas, como o uso de carro oficial para fins pessoais e o recebimento de salário vinculado ao gabinete da senadora Tereza Cristina, levantando questionamentos éticos e pedidos de esclarecimento.
Feira Central e promessas vazias
Na Feira Central, promessas simples, como a instalação de ventilação adequada, nunca saíram do papel. Feirantes e frequentadores relatam mal-estar físico, indignação e sensação de abandono.
Um governo distante da população
Para a oposição, o governo Cassiano Maia consolidou-se como uma gestão centralizadora, politicamente seletiva e distante das reais necessidades da população. Endividamento crescente, contratos duvidosos, aparelhamento político e serviços precários compõem um cenário considerado preocupante para o futuro de Três Lagoas.
“Três Lagoas merece mais. Governar não é perseguir adversários nem fazer marketing, é cuidar das pessoas e da cidade”, conclui Dr. Ruy Costa.
O Jornal da Lagoa, como veículo independente e de oposição, seguirá acompanhando, fiscalizando e dando voz à população. Porque governar é cuidar da cidade — e não apenas do poder.
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