Três Lagoas parece seguir, cada vez mais, um roteiro já visto em Campo Grande — e infelizmente não é um bom exemplo. Agora é a vez do Hospital Nossa Senhora Auxiliadora protagonizar uma situação triste : o atraso no pagamento dos salários de seus funcionários.
Segundo denúncia encaminhada à reportagem, o setor de Recursos Humanos informou aos trabalhadores que os vencimentos não foram pagos na data correta devido ao atraso no repasse financeiro da Prefeitura de Três Lagoas. A previsão, repassada internamente, é de que o pagamento só ocorra na próxima segunda-feira.
A situação remete diretamente ao que aconteceu recentemente com os funcionários da Santa Casa de Campo Grande, que também enfrentaram atrasos salariais, viveram meses de insegurança financeira e expuseram o colapso da relação entre poder público e instituições hospitalares. Agora, o mesmo filme começa a ser exibido em Três Lagoas.
A pergunta que fica é inevitável: até quando a Prefeitura vai tratar a saúde com improviso? Se o repasse atrasa, a responsabilidade é de quem administra os recursos públicos. Hospital não funciona sem gente, e gente não trabalha sem salário. É simples.
Mais grave ainda é o silêncio oficial. Até o momento, não há nota clara, cronograma público ou posicionamento firme da administração municipal explicando o atraso, assumindo responsabilidades e garantindo que a situação não se repita.
Três Lagoas não pode normalizar o atraso de salários na saúde. Hoje é o Hospital Auxiliadora; amanhã, quem será o próximo? Copiar Campo Grande nos erros é um caminho perigoso e conhecido — e quem paga a conta, como sempre, é o trabalhador e a população que depende do atendimento hospitalar.