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Dez anos depois, um cadastro mudou duas vidas: biomédico de MS doa medula óssea e leva esperança a paciente compatível
Após uma década inscrito no REDOME, Lucas Cardoso Pires foi chamado para realizar a doação
16/07/2026 14h43
Por: Redação Fonte: Assessoria
Lucas conta que se cadastrou no REDOME em 2016, quando cursava Biomedicina (Foto Divulgação)

Uma decisão tomada há dez anos, durante um projeto da faculdade, transformou-se na oportunidade de salvar uma vida. O biomédico Lucas Cardoso Pires, de 31 anos, morador de Três Lagoas, foi chamado pelo REDOME (Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea) após uma década cadastrado e realizou, em junho deste ano, a doação de medula óssea para um paciente compatível.

A história reforça uma mensagem importante: um gesto simples, como fazer o cadastro de doador, pode representar a única esperança de tratamento para pessoas que aguardam um transplante.

Uma decisão tomada na faculdade

Lucas conta que se cadastrou em 2016, quando cursava Biomedicina. A iniciativa surgiu durante uma ação promovida pelos professores em parceria com o Hemosul de Três Lagoas. Na época, ele não imaginava que o telefone tocaria dez anos depois.

"Eu pensei: 'Por que não?'. Se um dia eu pudesse ajudar a salvar uma vida, já valeria a pena. Fiz o cadastro e segui minha vida normalmente."

Em janeiro deste ano, recebeu uma mensagem do REDOME informando que havia um possível paciente compatível. Depois da realização de exames complementares no Hemosul, veio a confirmação, em maio.

Mesmo diante da ansiedade durante a espera pelo resultado, a resposta foi imediata. "Quando confirmaram que eu era compatível e perguntaram se eu queria dar continuidade ao processo, prontamente respondi que sim."

Segurança em todas as etapas

Antes da doação, Lucas passou por uma bateria de exames em São Paulo para garantir que tanto ele quanto o paciente estivessem aptos ao procedimento.

Toda a logística foi organizada pelo REDOME, incluindo passagens, hospedagem, alimentação e deslocamentos, tanto para o doador quanto para sua acompanhante.

Doação por aférese: um processo simples e tranquilo

A doação foi realizada pelo método de aférese, técnica em que o sangue passa por uma máquina que separa apenas as células necessárias para o transplante e devolve os demais componentes ao organismo.

Durante cinco dias antes da coleta, Lucas recebeu medicações para estimular a produção das células da medula óssea.

O procedimento estava previsto para durar cerca de cinco horas, mas foi concluído em apenas três.

"Muitas pessoas imaginam que doar medula óssea é um processo doloroso, complicado, mas é totalmente ao contrário. Desde a preparação até a doação foi tudo muito tranquilo."

Após a coleta, ele apresentou apenas uma leve dor de cabeça no dia seguinte e logo retomou sua rotina normal, sem qualquer complicação.

A chance de encontrar um compatível

Encontrar um doador de medula óssea fora do círculo familiar é um grande desafio. A chance de compatibilidade entre pessoas sem parentesco é de aproximadamente uma em cada 100 mil no Brasil e pode chegar a uma em cada um milhão no mundo.

"Normalmente acompanhamos o doador até a confirmação da compatibilidade. Depois, o processo passa a ser conduzido diretamente pelo REDOME e nem sempre conhecemos o desfecho. Com o Lucas foi diferente. Ele compartilhou cada etapa conosco e foi muito gratificante acompanhar essa história até a doação", destaca a chefe do Hemosul de Três Lagoas, Mariana Spirandeli.

Para Lucas, essa estatística torna a experiência ainda mais marcante.

"Saber que existe alguém geneticamente compatível comigo é algo que não tem explicação. Sou muito grato e acredito que Deus tenha um grande propósito em tudo isso. É muito gratificante saber que, por meio da minha medula, posso oferecer esperança e uma nova oportunidade de vida para outra pessoa."

Um convite para salvar vidas

"Nosso papel é orientar cada voluntário para que ele faça o cadastro de forma consciente, entendendo todo o processo e assumindo esse compromisso caso um dia seja chamado para a doação", explica Mariana.

O cadastro no REDOME é simples: basta procurar uma unidade da Rede Hemosul, apresentar um documento de identificação, preencher um formulário e coletar uma pequena amostra de sangue. Os dados genéticos ficam armazenados no banco nacional e, caso haja compatibilidade com algum paciente, o voluntário é novamente contatado para dar continuidade ao processo.

Hoje, recuperado e de volta às atividades, Lucas aproveita sua história para incentivar outras pessoas a se cadastrarem como doadoras.

"Façam o cadastro. Vale muito a pena. Salvar uma vida não custa nada. É um processo simples, tranquilo e pode representar uma nova esperança para alguém. Não existe sentimento maior do que saber que você pode ajudar outra pessoa a viver novamente."