A decisão da Secretaria Municipal de Saúde de substituir a médica geriatra que atendia há anos na Clínica do Idoso por um clínico geral tem gerado indignação entre pacientes, familiares e profissionais da área da saúde. A medida é vista por muitos como mais um passo no processo de descaracterização de um serviço que foi criado justamente para oferecer atendimento especializado à população idosa.
A Clínica do Idoso nasceu com uma proposta clara: garantir assistência diferenciada para uma faixa da população que possui necessidades específicas e demanda acompanhamento especializado. O envelhecimento traz desafios que vão muito além das doenças comuns, exigindo conhecimento aprofundado sobre fragilidade, polifarmácia, demências, quedas, limitações funcionais e outras condições típicas da terceira idade.
Ao retirar uma especialista em Geriatria e substituí-la por um clínico geral, a administração municipal transmite uma mensagem preocupante: a de que o atendimento ao idoso pode ser tratado como algo genérico, sem a necessidade de especialista para lidar com as particularidades dessa população.
A mudança levanta questionamentos importantes. Se a Clínica do Idoso não conta mais com geriatra, qual a justificativa para continuar sendo chamada de Clínica do Idoso? O risco é transformar um serviço especializado em apenas mais uma unidade de atendimento comum, esvaziando sua finalidade original.
Pacientes relatam preocupação com a continuidade dos tratamentos e com a perda do vínculo construído ao longo dos anos com a profissional que conhecia o histórico de centenas de idosos. Em saúde, especialmente entre pessoas idosas, a confiança entre médico e paciente é um fator fundamental para a qualidade do acompanhamento.
A situação também reacende o debate sobre as prioridades da gestão municipal na área da saúde. Enquanto a população envelhece rapidamente e a demanda por especialistas aumenta, a prefeitura parece caminhar na direção oposta, reduzindo a presença de profissionais especializados em um serviço que deveria ser referência no cuidado ao idoso.
A população espera explicações da Secretaria de Saúde sobre os critérios utilizados para a substituição e quais medidas serão adotadas para garantir que a Clínica do Idoso não perca definitivamente sua identidade e sua capacidade de oferecer atendimento especializado à terceira idade.