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Clínica do Idoso perde identidade com troca de geriatra por clínico geral
Medida é vista por muitos como mais um passo no processo de descaracterização de um serviço que foi criado justamente para oferecer atendimento especializado à população idosa
26/06/2026 18h43
Por: Redação Fonte: Assessoria
Foto Divulgação

A decisão da Secretaria Municipal de Saúde de substituir a médica geriatra que atendia há anos na Clínica do Idoso por um clínico geral tem gerado indignação entre pacientes, familiares e profissionais da área da saúde. A medida é vista por muitos como mais um passo no processo de descaracterização de um serviço que foi criado justamente para oferecer atendimento especializado à população idosa.

A Clínica do Idoso nasceu com uma proposta clara: garantir assistência diferenciada para uma faixa da população que possui necessidades específicas e demanda acompanhamento especializado. O envelhecimento traz desafios que vão muito além das doenças comuns, exigindo conhecimento aprofundado sobre fragilidade, polifarmácia, demências, quedas, limitações funcionais e outras condições típicas da terceira idade.

Ao retirar uma especialista em Geriatria e substituí-la por um clínico geral, a administração municipal transmite uma mensagem preocupante: a de que o atendimento ao idoso pode ser tratado como algo genérico, sem a necessidade de especialista para lidar com as particularidades dessa população.

A mudança levanta questionamentos importantes. Se a Clínica do Idoso não conta mais com geriatra, qual a justificativa para continuar sendo chamada de Clínica do Idoso? O risco é transformar um serviço especializado em apenas mais uma unidade de atendimento comum, esvaziando sua finalidade original.

Pacientes relatam preocupação com a continuidade dos tratamentos e com a perda do vínculo construído ao longo dos anos com a profissional que conhecia o histórico de centenas de idosos. Em saúde, especialmente entre pessoas idosas, a confiança entre médico e paciente é um fator fundamental para a qualidade do acompanhamento.

A situação também reacende o debate sobre as prioridades da gestão municipal na área da saúde. Enquanto a população envelhece rapidamente e a demanda por especialistas aumenta, a prefeitura parece caminhar na direção oposta, reduzindo a presença de profissionais especializados em um serviço que deveria ser referência no cuidado ao idoso.

A população espera explicações da Secretaria de Saúde sobre os critérios utilizados para a substituição e quais medidas serão adotadas para garantir que a Clínica do Idoso não perca definitivamente sua identidade e sua capacidade de oferecer atendimento especializado à terceira idade.