O editorial desta edição do Jornal da Lagoa traz à reflexão dois episódios recentes que expõem contrastes preocupantes da realidade vivida pela população de Três Lagoas.
O primeiro aconteceu após as fortes chuvas que causaram transtornos e prejuízos em uma rua do Jardim Maristella. Enquanto moradores enfrentavam dificuldades e buscavam ajuda, o médico ginecologista Dr. Ruy Costa esteve presente no local após receber inúmeras ligações e mensagens de cidadãos que pediam apoio e alguém que pudesse dar visibilidade ao problema.
Na mesma ocasião, também esteve presente o vereador Marco Silva, eleito com um discurso de oposição, mas que atualmente tem adotado posicionamentos alinhados à administração municipal. O episódio chamou atenção porque, diante dos problemas enfrentados pelos moradores, o parlamentar recorreu ao telefone para solicitar a presença do prefeito, que compareceu posteriormente ao local acompanhado de integrantes da administração municipal, o mesmo vereador ainda agrediu verbalmente o médico Dr Ruy e sua equipe que ali estava para atender a população.
O contraste apontado por muitos moradores está justamente na diferença entre a resposta imediata de quem não ocupa mandato eletivo e a atuação daqueles que foram escolhidos para representar a população. A sensação de abandono e indignação ficou evidente entre os cidadãos afetados pelos problemas causados pela chuva.
O segundo episódio ocorreu durante a sétima sessão extraordinária da Câmara Municipal. Moradores do Cinturão Verde e da ocupação São João compareceram ao plenário para reivindicar aquilo que consideram um direito fundamental: moradia digna.
No entanto, segundo relatos e manifestações de participantes da sessão, a postura de diversos vereadores foi recebida com indignação pela população presente. O sentimento predominante entre os moradores era de que suas reivindicações não estavam sendo tratadas com a seriedade e o respeito que mereciam.
A população saiu da sessão com a sensação de que sua voz foi ignorada. Pessoas que depositaram confiança nas urnas viram representantes eleitos adotarem posições contrárias às expectativas daqueles que os colocaram nos cargos que ocupam hoje.
Os acontecimentos dos últimos dias servem como alerta. A democracia não termina após a eleição. Ela exige memória, participação e fiscalização permanente por parte da sociedade.
Em breve, novos processos eleitorais estarão diante da população. Muitos dos mesmos agentes políticos voltarão a percorrer ruas e bairros pedindo confiança, apoio e votos. Cabe aos cidadãos refletirem sobre as atitudes, decisões e posicionamentos adotados por seus representantes ao longo de seus mandatos.
O Jornal da Lagoa encerra este editorial com uma única palavra, capaz de resumir o sentimento de muitos tres-lagoenses diante dos episódios relatados:
Vergonha.