A chegada das carretas da saúde a Três Lagoas, prevista para o mês de julho, deveria ser comemorada pela população que aguarda há meses — e em alguns casos há anos — por consultas e exames especializados. O problema é que a iniciativa, custeada pelo Governo Federal, vem sendo apresentada nas redes sociais do prefeito Cassiano Maia de forma que pode levar muitos cidadãos a acreditar que se trata de uma ação da Prefeitura Municipal.
A estratégia de marketing político tenta transformar uma ajuda externa em vitrine administrativa. Porém, a realidade é difícil de esconder: se a saúde municipal estivesse funcionando de forma eficiente, não haveria necessidade de recorrer a estruturas itinerantes para desafogar filas que cresceram justamente durante a atual gestão.
Três Lagoas possui uma das maiores arrecadações de Mato Grosso do Sul. São bilhões de reais movimentados pela economia local e centenas de milhões arrecadados anualmente pelo município. Diante desse cenário, é legítimo questionar: como uma cidade com tamanha capacidade financeira chega ao ponto de depender de carretas federais para oferecer atendimento especializado à sua população?
Enquanto as redes sociais exibem fotos e anúncios, pacientes continuam aguardando consultas com especialistas, exames diagnósticos e procedimentos que deveriam estar sendo ofertados regularmente pela rede municipal de saúde.
A chegada das carretas acaba revelando uma contradição. Em vez de representar uma conquista da administração municipal, evidencia a incapacidade da gestão em estruturar uma rede capaz de atender a demanda da população com recursos próprios.
No fim das contas, as carretas da saúde podem até ajudar a reduzir filas temporariamente. O que elas não conseguem esconder é a deficiência de planejamento e gestão que fez com que essas filas chegassem ao tamanho que possuem hoje. Afinal, quando uma cidade bilionária depende de estruturas itinerantes para oferecer atendimento básico especializado, o problema não está na carreta. Está na administração.