Três Lagoas é uma das cidades que mais arrecadam em Mato Grosso do Sul, abriga grandes indústrias e frequentemente aparece nos discursos políticos como exemplo de desenvolvimento. No entanto, basta percorrer alguns bairros para encontrar uma realidade bem diferente da propaganda oficial: esgoto a céu aberto, mau cheiro, proliferação de insetos e risco constante à saúde da população.
Moradores denunciam que convivem diariamente com valas de esgoto correndo pelas ruas, terrenos e áreas próximas às residências. Além do desconforto, a situação representa um grave problema de saúde pública, favorecendo a proliferação de mosquitos, ratos e outros vetores de doenças.
O mais preocupante é que o problema não é novo. Há anos a população cobra soluções definitivas, mas as reclamações parecem se perder no caminho entre a prefeitura, a concessionária responsável e os órgãos fiscalizadores. Enquanto isso, famílias seguem convivendo com o descaso.
Dados do setor de saneamento mostram que, apesar dos avanços registrados nos últimos anos, ainda existe uma parcela significativa do esgoto gerado no município que não recebe coleta e tratamento adequados. Em 2022, mais de 2 milhões de metros cúbicos de esgoto foram lançados na natureza sem tratamento, evidenciando que a universalização do saneamento ainda está longe de ser uma realidade para todos os moradores.
A contradição é evidente. Enquanto autoridades anunciam investimentos milionários e ampliação das redes de esgotamento sanitário, moradores continuam registrando cenas incompatíveis com uma cidade que se orgulha de ser polo industrial e referência econômica do Estado.
A população não quer discursos, promessas ou placas de obras. Quer soluções. Quer poder abrir a janela sem sentir o cheiro de esgoto. Quer que as crianças possam brincar sem risco de contaminação. Quer o mínimo que qualquer cidadão tem direito: dignidade.
O esgoto a céu aberto não é apenas um problema de infraestrutura. É um retrato do abandono e da falta de prioridade com a qualidade de vida das pessoas. E enquanto o problema continuar escorrendo pelas ruas de Três Lagoas, ficará cada vez mais difícil convencer a população de que a cidade está no caminho certo.