Enquanto a população enfrenta problemas na saúde, infraestrutura precária, falta de manutenção em espaços públicos e reclamações constantes sobre serviços básicos, a Prefeitura de Três Lagoas segue ampliando os gastos milionários com eventos e entretenimento. Além dos mais de R$ 4 milhões destinados para shows, agora chama atenção o repasse de quase R$ 1 milhão ao Sindicato Rural para organização da festa agropecuária da cidade.
O Sindicato Rural lucra diretamente com a estrutura da festa, incluindo cessão de espaços comerciais, barracas de alimentação, camarotes, estacionamento, publicidade, patrocínios e diversas outras formas de arrecadação dentro do recinto.
Na prática, o dinheiro público estaria sendo utilizado para fortalecer um evento privado, que já possui inúmeras fontes de receita próprias. A pergunta que fica é: por que a Prefeitura precisa investir quase R$ 1 milhão em uma estrutura que gera lucro ao sindicato organizador?
A situação merece investigação detalhada e transparência absoluta sobre cada centavo gasto. A população tem o direito de saber:
Qual será exatamente a destinação do valor repassado?
Quais serviços serão pagos com dinheiro público?
Quem serão as empresas beneficiadas?
Qual o retorno real para a população?
Quanto o Sindicato Rural arrecada com barracas, camarotes e espaços comerciais?
Eventos têm sua importância cultural e econômica, mas o uso excessivo de recursos públicos em festas e entretenimento começa a ultrapassar os limites do razoável, especialmente em um momento em que diversas áreas essenciais enfrentam dificuldades.
O Ministério Público e os órgãos de controle precisam acompanhar de perto esses contratos e convênios. O dinheiro público não pode virar ferramenta para beneficiar grupos específicos enquanto a população paga a conta.
A transparência não é favor. É obrigação.