Em meio à queda de popularidade e ao aumento da rejeição popular, o prefeito Cassiano Maia volta a ser alvo de críticas por práticas que levantam sérias dúvidas sobre o uso da estrutura pública para fins políticos.
Segundo informações obtidas por fontes ligadas à administração municipal, secretários teriam sido orientados a convocar servidores públicos para comparecer ao aniversário do prefeito, que será realizado no Sindicato Rural e aberto ao público. A movimentação, no entanto, não teria caráter espontâneo: a ordem seria clara — garantir público para evitar um evento esvaziado e, principalmente, criar um ambiente favorável para a exposição de seus pré-candidatos.
A estratégia, se confirmada, escancara uma prática antiga da política brasileira: a tentativa de transformar eventos pessoais em atos políticos, utilizando a máquina pública como instrumento de mobilização. Servidores, que deveriam estar focados em suas funções, passam a ser tratados como massa de manobra, pressionados — ainda que indiretamente — a marcar presença para demonstrar apoio.
Nos bastidores, o receio de baixa adesão popular evidencia o momento delicado vivido pela atual gestão. A necessidade de “encher o espaço” não seria apenas uma questão de vaidade, mas uma tentativa de construir uma narrativa artificial de força política, especialmente em um cenário pré-eleitoral.
Outro ponto que chama atenção é o uso do evento como vitrine para pré-candidatos aliados. Ao reunir público sob a justificativa de uma comemoração pessoal, o prefeito cria um palanque informal, fora dos mecanismos tradicionais de campanha, antecipando movimentações políticas e testando nomes junto à população.
Especialistas em direito eleitoral alertam que, dependendo da forma como essa mobilização ocorre, a prática pode configurar abuso de poder político e uso indevido da máquina pública — situações que, em casos extremos, podem gerar questionamentos judiciais.
Enquanto isso, a população segue enfrentando problemas reais no município, que vão desde críticas à saúde pública até questões estruturais. Diante desse cenário, o contraste entre as prioridades da gestão e as necessidades da cidade se torna ainda mais evidente.
Se confirmado, o episódio reforça a percepção de uma administração mais preocupada com a própria sobrevivência política do que com a entrega de resultados concretos à população.