Funcionários de alguns Centros Educacionais Infantis municipais entraram em contato com o Jornal da Lagoa para denunciar uma série de problemas que, segundo eles, têm comprometido o funcionamento das unidades e, principalmente, o atendimento às crianças da rede pública de ensino em Três Lagoas.
Entre as principais reclamações estão falta de estrutura adequada, déficit de profissionais e ausência de atendimento especializado para crianças atípicas, além de críticas à queda na qualidade da merenda escolar após a terceirização do serviço.
De acordo com os relatos, diversas unidades estão funcionando com quadro de funcionários reduzido, o que tem provocado sobrecarga nas equipes que permanecem nas escolas e centros educacionais.
Professores e auxiliares relatam que, em alguns casos, um número pequeno de profissionais precisa atender muitas crianças ao mesmo tempo, dificultando o acompanhamento adequado e a atenção individualizada.
“Tem sala com muitas crianças e poucos profissionais para dar conta. Quem está na unidade acaba tendo que se desdobrar para conseguir manter tudo funcionando”, relatou um funcionário que pediu para não ser identificado.
Outro ponto considerado grave pelos trabalhadores da educação é a falta de profissionais capacitados para acompanhar crianças atípicas, como aquelas com transtorno do espectro autista (TEA), déficit de atenção ou outras condições que exigem suporte especializado.
Segundo os relatos, muitas unidades não contam com cuidadores suficientes ou profissionais de apoio, o que gera dificuldades tanto para as crianças quanto para os professores em sala de aula.
“Essas crianças precisam de acompanhamento específico para garantir inclusão de verdade. Sem profissionais suficientes, quem acaba sofrendo são elas”, disse outro servidor da rede.
Problemas estruturais também preocupam
Além da falta de pessoal, funcionários apontam que alguns centros educacionais enfrentam problemas estruturais, como manutenção precária, falta de materiais e espaços inadequados para determinadas atividades pedagógicas.
A situação, segundo os denunciantes, gera preocupação entre trabalhadores e pais, que temem que a qualidade do ensino e do cuidado com as crianças seja prejudicada.
Funcionários afirmam também, que após a terceirização do serviço de alimentação, houve piora perceptível na qualidade dos alimentos servidos às crianças.
Segundo os relatos, a alimentação teria se tornado mais simples, com menor variedade e, em alguns casos, com porções consideradas insuficientes.
“A merenda antes era mais bem preparada e variada. Agora muitos profissionais comentam que a qualidade caiu bastante”, relatou um funcionário.
Diante das denúncias, trabalhadores da rede educacional pedem mais atenção da administração municipal para os centros educacionais, especialmente no reforço de equipes, melhoria da estrutura e revisão do modelo de alimentação escolar.
Para eles, investir nas unidades de educação infantil e centros educacionais não é apenas uma questão administrativa, mas um compromisso com o futuro das crianças da cidade.
“Quem está dentro das unidades vê de perto as dificuldades. A educação precisa ser prioridade de verdade, não apenas no discurso”, afirmou um dos denunciantes.
Até o fechamento desta reportagem, a administração municipal não havia se manifestado sobre as reclamações relatadas pelos funcionários. O espaço segue aberto para esclarecimentos.